Igreja e Morgado de Santa Bárbara

 

O Morgado de Santa Bárbara foi instituído em 1641 pelo coronel Francisco Pereira do Lago e funcionava principalmente como um mercado (veja uma ilustração do século 18). A antiga Igreja de Santa Bárbara pode ter sido construída, na mesma época, nas instalações desse morgado.

A Planta de Hugh Wilson, de 1871 (fragmento abaixo), indica a localização exata da Igreja, naquela época, na atual rua Santos Dumont.

O regime de morgadio existia desde a Idade Média e tinha relação com os conceitos do feudalismo. A um senhor era dado o direito de explorar determinado patrimônio, que não podia ser vendido, era inalienável, e deveria ser passado, por herança, ao seu herdeiro primogênito. Foi regulamentado, em Portugal, em 1603, pelas Ordenações Filipinas e extinto no Brasil, em 1835.

No caso do Morgado de Santa Bárbara, documentos oficias, do século 19, mostram que o nome morgado continuou sendo usado para aquelas instalações, por tradição.

O Morgado de Santa Bárbara envolvia vários prédios e sua arquitetura mudou com o tempo. O prédio junto ao Cais era conhecido como Arcos de Santa Bárbara e abrigava vários estabelecimentos comerciais, como, por exemplo, a litotipografia de João Gonçalves Tourinho, que publicava almanaques no final do século 19.

Na Fala da Presidência da Província da Bahia, de 1860, descreve-se o Morgado de Santa Bárbara como um edificio composto de quatro quarteirões de casas, cujo local é o verdadeiro centro da parte commercial da cidade. Nesse documento, o Presidente da Bahia refere-se aos projetos de transferência do Celleiro Publico, da Administração do Correio e da Repartição de Terras Publicas, para o Morgado. Cita também que a propriedade do Morgado era uma questão que estava pendente nos tribunais e que era considerado como "Capella vaga".

O Relatório apresentado à Assembleia Legislativa da Bahia, pelo presidente da Província, em março de 1871, faz a seguinte referência ao Morgado de Santa Bárbara:

Existe no centro das ruas melhoradas da cidade do Commercio este velho vinculo portuguez, o qual depois de muitos annos foi sequestrado pela fazenda publica à falta de habilitação de legitimos herdeiros, supondo-se extincto e tornando-se os edificios propriedade nacional. Creio que a mais de 20 annos a thesouraria arrecada os alugueis, correndo um processo que não tem fim e que excita ambições illegitimas.

Em novembro de 1871, o governo da Província contratou a reforma do telhado e do coro da Capela.

No artigo Extinctas Capellas da Cidade do Salvador (IGHB, № 56), tem-se que a Capela de Santa Bárbara começou a ser demolida em 11 de janeiro de 1900, pois teria ficado muito arruinada com o incêndio ocorrido no prédio vizinho, o Hotel das Naçõens, em 1898.

Com a demolição da Capela, as imagens de Santa Bárbara, São Jerônimo e Santa Efigênia foram transladadas para a Igreja do Corpo Santo. Posteriormente a imagem de Santa Bárbara foi para a Igreja do Rosário dos Pretos.

 

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Nessa ilustração de François Froger, de 1696, uma igreja está indicada com o texto Ste. Barbe (letra M), uma das formas, em francês, para Santa Bárbara (clique na imagem para ver toda a ilustração).

Essa era provavelmente a Igreja da Conceição da Praia, apesar de estar no lado errado da Ladeira da Conceição. Uma evidência disso é o relato do inglês William Dampier, que esteve na Bahia, em 1699. Dampier observou que a Igreja de Santa Bárbara era uma igreja paroquial que podia ser vista da Baía. Como igreja paroquial, Dampier queira dizer igreja matriz, pois ele assim também se referiu à Igreja de Santo Antônio. Tanto a Igreja da Conceição da Praia, quanto a de S. Antônio já eram igrejas matrizes, na época. Já a Igreja de Santa Bárbara nunca foi matriz.

Fica, entretanto, a curiosidade de que, no espaço de cerca de três anos, dois estrangeiros (um francês e um inglês) tenham se referido à Igreja da Conceição da Praia como sendo de Santa Bárbara.

 

Fragmento do Panorama de Mulock, de 1860, onde se vê o Morgado de Santa Bárbara. Note, que Caldas (acima) indica o Mercado em um prédio com dois andares superiores (Vilhena, igualmente). Tudo indica que o Mercado foi reconstruído. O mercado registrado por Lindemann (foto ao lado) ficava atrás desse de frente para o Cais, atual Rua Miguel Calmon.

 

Salvador Seculo17

 

Lindemann Santa Barbara

 

Igrejas de Salvador

 

Ladeira da Conceição

 

Arcos de S. Bárbara

 

Parte do Morgado de Santa Bárbara, em fotografia de Rodolpho Lindemann, cerca de 1885. Note o Hotel da Naçõens, atrás, onde se iniciou o incêndio que destruiu a Igreja de Santa Bárbara, localizada ao lado do Hotel, atrás do mercado da foto. Esta é a atual rua Pinto Martins.

 

Festa de Santa Bárbara, em Salvador, comemorada em 4 de dezembro. A festa é um patrimônio cultural que acontece desde o século 17. No sincretismo religioso, é a divindade Iansã do candomblé.

 

Este é um fragmento de uma ilustração do Morgado de Santa Bárbara, feita por autor anônimo, entre 1764 e 1785, original no Arquivo do Estado da Bahia. Note a indicação da porta da Capela de Santa Bárbara (clique na imagem para ampliar).

 

Acima, indicação do local da antiga Igreja de Santa Bárbara, na atual rua Santos Dumont, um prédio de sete andares parcialmente abandonado (foto Google street view).

À direita, fragmento da Planta Hugh Wilson, de 1871, indicando a localização da Igreja de Santa Bárbara (cruz ao centro).

 

Fragmento do Prospecto de Caldas, de 1758, com a Identificação dos Arcos de Santa Bárbara. Vilhena fez a mesma identificação.

 

Localização

 

Mapa seculo 19

 

Capela Morgado

 

Mulock

 

Caldas Salvador

 

Festa Santa Bárbara

 

 

Local da Igreja da Conceição da Praia

 

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Porta da Capela ►

 

História Cidade Salvador

 

 

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(Ampliar)

 

 

 

Tatiana Azeviche