Planta de Salvador - 1894

Adolfo Morales de los Rios

 

Este importante mapa histórico da Cidade do Salvador tem data impressa de 30 de março de 1894. Seu aspecto geral é apresentado à direita, com ampliações abaixo.

Foi organizado pelo engenheiro espanhol Adolfo Morales de los Rios. Aprovado pelo Intendente Dr. José Luiz de Almeida Couto e pelo engenheiro municipal Dr. A. F. Maia Bittencourt. Foi editado por Ramon Alargon, com litografia da Comp. de Loterias Nacionaes - Sapopemba.

Deduz-se, por análise iconográfica, que os edifícios religiosos estão indicados na cor preta, os fortes e quartéis, em azul claro, teatros, em amarelo, e alguns edifícios notáveis estão em vermelho.

A Planta abrange a área desde a Lapinha até o Campo Grande.

Uma outra cópia dessa planta está disponível online no site da Biblioteca Nacional.

Mais: Planta de Hugh Wilson, 1871

 

MoralesAdolfo Morales de los Rios (1858-1928)

Adolfo Morales de los Rios y García de Pimentel nasceu em Sevilha, na Espanha, em 10 de março de 1858. Foi engenheiro, urbanista e historiador.

Em 1875, entrou para a Escola de Engenharia de Madrid, saindo em 1877. Nesse ano, ingressou no curso de arquitetura da École des Beaux-Arts de Paris, concluído em 1882. Depois, trabalhou em Paris e na Espanha, onde executou importantes projetos.

Em 1890, chegou ao Rio de Janeiro, onde trabalhou como arquiteto. Em 1893, venceu um concurso de projetos para o saneamento da Cidade do Salvador e participou de sua construção. Foi sócio fundador do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia. Em 1894, foi publicada sua Planta de Salvador, tema desta página. Ele morou em Salvador de 1893 a 1898.

Em 1898, foi nomeado para a cadeira de Estereotomia na Escola Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro. Em 1901, passou a ensinar Geometria Descritiva, em 1905, Elementos de Arquitetura e Desenho de Ornatos e, em 1920, História e Teoria da Arquitetura. No Rio de Janeiro, executou vários projetos de destaque e passou a publicar artigos em periódicos nacionais. Em 1920, transferiu-se para executar projetos em Alagoas e, depois, em Pernambuco. Retornou ao Rio de Janeiro, onde faleceu em 1928 (tem mais abaixo).

 

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Élisée Reclus

 

Este é o primeiro trecho da Planta de Morales de los Rios, mostrando a Lapinha, Soledade, Água de Meninos e parte de Santo Antônio.

A Igreja de São José de Ribamar não existe mais. A Igreja de São Francisco de Paula e a Igreja da Santíssima Trindade estão em ruínas. Todo o trecho da orla da Baía foi aterrado na primeira metade do século 20.

 

Seculo 19

 

As impressões de Morales de los Rios sobre Salvador

Ao visitar Salvador pela primeira vez, quando em viagem pela América do Sul, no final de 1889, Morales de los Rios escreveu ter visto um dos panoramas mais belos do mundo. Empolgou-se ao descrever a paisagem, que observou com o auxílio de uma lente. A vegetação espessa, as palmeiras, as canoas pelas praias, os casarões da Vitória, as ladeiras que ligavam a Cidade Baixa à Cidade Alta, as torres das igrejas, os fortes. A Cidade estava disposta em um anfiteatro. Observou que o Elevador Lacerda dava um bom efeito na paisagem.

Ao desembarcar, notou que a Cidade Baixa era um importante empório comercial, de importação e de exportação. Visitou a Rua das Princezas, onde se achavam as melhores lojas e intenso movimento, e o Morgado de Santa Bárbara, onde se comercializavam inclusive animais silvestres. Almoçou no restaurante La Belle Jardinière, estranhando ser de gastronomia francesa, sendo o proprietário alemão.

Em seguida, cansou-se ao subir uma ladeira para a Cidade Alta e descreveu a indumentária das baianas negras que subiam e desciam a ladeira vendendo gêneros comestíveis:

Estas criollas usan una saya de mucho vuelo sobre otras y otras sayas que en conjunto parecen al moverse una enorme flor vuelta para abajo y movida por la brisa. Cubren el busto con camisas a veces totalmente bordadas y cuyo trabajo de encaje indigena se aprecia mejor aún sobre los cutis negros. En la cabeza llevan un turbante que és más chato y ancho en las africanas y mais airoso, coquetón y variado de formas en las criollas. En la garganta llevan 3 y 4 collares de cristales, coral y ostra recortada, mesclados con cuentas doradas. En los puños llevan pulseras semejantes y las que no van con los pies descalzos llevan unas babuchitas, en las que apenas entra la punta del píe y com gran tacón. Precisa una gran costumbre de usar este calzado para no ir incomodados con él por aquellos vericuetos y a paso ligero. [...] A todo esto movian las caderas con un remolino que debe ser natural en ellas pués seria imposible afectarlo así, por el cansancio que de esta manera habian de experimentar los rifíones. Vaya que meneo!

No alto da ladeira, encontrou alguns negros que carregavam um piano de calda e caminhavam ao ritmo compassado de uma canção entoada em algum dialeto africano.

Na Cidade Alta, deslumbrou-se com a vista da Baía de Todos os Santos, perambulou pelas ruas e escreveu que Salvador deveria chamar-se Cidade das Ladeiras. Durante o passeio, observou a semelhança da população e da arquitetura dos prédios com os da Andaluzia, na Espanha. Viu no Campo Grande belas casas rodeadas por esplêndidos jardins. Observou que o Paço Municipal tinha uma arquitetura semelhante ao de prefeituras francesas.

Morales de los Rios retornou a Salvador, onde viveu entre 1893 e 1898, hospedando-se nos hotéis Paris e Sul Americano, ambos, antigos casarões no início da Ladeira de São Bento. Nessa época, apreciou a culinária baiana, as festas, o folclore, a música, o candomblé e as igrejas. Divertia-se com os nomes das ruas.

Como sócio fundador do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, recomendou a criação da carta geográfica e geológica do Estado, o estudo hidrográfico do seu território, a criação do cadastro florestal, de minérios, agrícola e das propriedades edificadas (Ata da 22ª Sessão de 22 de dezembro de 1895).

Além do projeto de saneamento e da Planta da Cidade, citados acima, Morales de los Rios fez vários outros projetos na Bahia. Idealizou e fundou a Praia Balneária de Ondina, projetou um novo Mercado do Peixe, projetou pórticos para o edifício da Câmara dos Deputados e projetou o edifício da Municipalidade de Canavieiras.

Em 1895, ganhou a concessão para o estudo e execução das obras da Viação Férrea, durante o qual foi feito prisioneiro, por alguns dias, em Canudos, época da sangrenta guerra que se travava naquela região. Nesses dias, Morales de los Rios fez desenhos e aquarelas do povoado e ganhou o apreço dos seguidores de Antônio Conselheiro, sendo libertado. Dois desses desenhos foram doados ao Museu Histórico Nacional.

Fonte principal: Figura, Vida e Obra de Adolfo Morales de los Rios, 1959.

 

Adolfo Marales de los Rios

 

Terceira parte: Terreiro ao Campo Grande.

 

Parte seguinte: Santo Antônio ao Terreiro.

 

Água de Meninos

 

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Centro Salvador

 

mapa cidade

 

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