Salvador no Século 19

 

No início do século 19, o município de Salvador possuía cerca de 70 mil habitantes. A Cidade era a maior do Império Lusitano, depois de Lisboa. Uma das mais belas cidades da América e de todo o Hemisfério Sul. Sua beleza era mesmo famosa, como demonstraram Charles Darwin, que se apaixonou pela Bahia, e Robert Fitz-Roy, o comandante do Beagle, que relatou: renomados autores já disseram tanto sobre a Bahia, seu porto espaçoso e ambientes agradáveis, que seria impertinente, em uma mera narrativa, fazer observações precipitadas... Fitz-Roy referia-se às suas observações sobre a Cidade Baixa, que chamou de suja e fedorenta, mas que na Cidade Alta ficava-se livre de qualquer aborrecimento. Cabe notar que, naquela época, não existia, no mundo, porto limpo e cheiroso, Londres não era diferente. Pode-se deduzir que, mesmo o mal-humorado Fitz-Roy, que raramente elogiou os lugares por onde passou, gostou muito de Salvador, pois decidiu retornar outras duas vezes.

Com a abertura dos portos, muitos visitantes estrangeiros chegaram na mais antiga cidade brasileira e encantaram-se com seus charme. O naturalista Charles Darwin escreveu em seu diário que Salvador parecia uma cidade das Arábias.

O Theatro São João, a primeira grande casa de espetáculo do Brasil, disputava sua suntuosidade com as grande igrejas da Cidade.

Após a chegada do Príncipe Regente Dom João, em 1808, o Rio de Janeiro tomou o lugar de Salvador como a maior cidade do Brasil.

Em 1843, houve um grande desmoronamento de terras atrás do Cais Dourado, na Freguesia do Pilar. Desmoronamentos sempre foi um grande problema em Salvador. Em 1846, começaram as obras de contenção das encostas da Cidade Alta, com grandes muralhas de alvenaria, que mudaram a paisagem da Cidade. As duas ilustração acima mostram o antes e o depois. Trechos dessas muralhas de contenção ainda estavam em construção em 1852.

Em 1857, Salvador tornou-se a primeira cidade do Brasil a ter água potável encanada, através do Sistema do Queimado. Foi um marco da engenharia nacional.

Em 1871, estreou em Salvador um Thomson road steamer, que se tornou o primeiro carro urbano a rodar com sucesso no Brasil.

Em 1873, Salvador ganhou uma de suas mais conhecidas construções: o Elevador Lacerda, um dos mais importantes empreendimentos da engenharia brasileira no século 19. No mesmo ano, foi instalado o Farol de Itapuã.

Na segunda metade do século 19, Salvador foi ultrapassada por São Paulo, ficando em terceiro lugar, no Brasil, em população. Também perdeu o posto de porto mais movimentado da América do Sul.

Salvador continuou como o principal centro cultural do Brasil, na maior parte do século 19. Como exemplo, em 1878, o escritor carioca França Júnior, patrono da Cadeira n. 12 da ABL, citou em sua obra que a Bahia era a Atenas Brasileira.

No final do século 19, Salvador continuava sendo um centro comercial de importância internacional, como relatou Moritz Lamberg (1896): A Bahia é, presentemente, uma das primeiras cidades comerciais da América do Sul e, como praça sólida, não é inferior a nenhuma outra e é por isso que goza na Europa de muito crédito.

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Seculo 19

 

Salvador em 1819.

 

Charles Darwin

 

Mercado do Ouro

 

Todo o charme da Salvador oitocentista em lápis e aquarela do pintor inglês Thomas Colman Dibdin (1810-1893). A muralha de alvenaria, que protege a encosta da Praça do Theatro, começou a ser construída em 1846.

 

 

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